O “misterioso” mundo da HC explicado em 4 pontos

//O “misterioso” mundo da HC explicado em 4 pontos
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O desconhecimento e o preconceito fazem com que a hipnose clínica seja ainda vista quase como um dogma. Uma visão pouco esclarecida sobre o tema que acaba por atrasar o acesso a uma terapia que já beneficia milhares de pessoas, em vários países do mundo. Para além do desconhecimento, existe ainda um enorme equívoco na diferenciação entre hipnotizador e hipnólogo. Cristina Infante Borges, hipnóloga clínica, esclarece em quatro pontos, de forma simples e clara, no que consiste este ainda “assustador”, mundo da hipnose clínica. 

 Onde está a hipnose?

Apesar de se falar cada vez mais de hipnose, a maioria das pessoas desconhece que se trata de um estado que faz parte da natureza humana e, como tal, de fácil acesso no nosso dia-a-dia.

A Hipnose Clínica fomenta um estado natural da consciência alterado que por meio de sugestões ou auto-sugestões, directa ou indirectamente, promove um estado de foco e concentração elevados, levando o indivíduo a dissociar corpo e mente. Através de múltiplas sugestões, o indivíduo entra num estado de relaxamento intenso, elevando a mente inconsciente, gerindo e assimilando cada sugestão ou auto-sugestão. Neste contexto, não existem limitações físicas, temporais, ideias pré-concebidas ou críticas da mente racional e dedutiva, o que faz com que o indivíduo se torne mais criativo, inovador e produtivo, a fim de gerar as alterações comportamentais ou fisiológicas que necessita para atingir um determinado objectivo.

Esta explicação é confusa e suscita muitas dúvidas, correcto? O que se entende por “estado natural” e “estado de consciência alterado”? Quando, onde e como ocorre e em que situações já terá ocorrido? As respostas a essas questões são simples. O estado natural de consciência alterado dá-se sempre que a sua mente divaga, se torna imaginativa ou se dissocia do local onde está. Por exemplo, quantas vezes já deu conta, de estar a conduzir e ao mesmo tempo imaginar, visualizando mentalmente, como vai ser o chegar a casa, quem encontrará, como vai ser recebido, etc. Ou quando se está a dirigir para o seu trabalho e durante o percurso vai, mentalmente, a organizar o seu dia: para quem telefonar, que projecto aprovar, o que levar para a reunião, o que apresentar como contra proposta… Sempre que a sua mente “voa” e se afasta no tempo e no espaço em que se encontra, está num estado hipnoidal (sonhar acordado ou estado de transe acordado).

Vejamos outro exemplo: quando vemos um casal muito apaixonado, por vezes, dizemos: “parece que estão hipnotizados”. Quer isto dizer que, o estado de foco, concentração e dissociação do mundo que os rodeia é tão grande que parece nada mais existe em seu redor. 

Somos hipnotizados todos os dias, sem darmos conta, como por exemplo quando estamos a ver televisão. A televisão é um dos maiores hipnotizadores de massas. 

Quais os princípios da hipnose clínica? 

Antes de mais é necessário esclarecer que hipnotismo é uma corrente teórica psicanalítica da psicologia. O termo “hipnose” aplica-se quando falamos de um estado natural de consciência alterado. 

Há ainda que perceber que existe a distinção entre o hipnotizador e o hipnólogo. O hipnotizador é aquele que usa a hipnose exclusivamente para entreter o público, para fins teatrais. O hipnólogo é uma pessoa que estuda de forma científica os fenómenos da mente, da comunicação verbal e não-verbal, da percepção, entre outros, aplicando os seus conhecimentos numa vertente clínica e em prol dos outros. 

A hipnose clínica deve ser sempre encarada como terapia complementar. O processo terapêutico é simples e consiste inicialmente, na detecção da causa/origem da situação; posteriormente o papel do hipnólogo clínico passa por remover a emoção provocada pela situação traumática ou de cansaço. A última fase consiste numa reprogramação mental.

Partindo do princípio-base da hipnose clínica, em que a mente não distingue a realidade do sonho, a terapia passa por instalar um “sonho” que leva o paciente a saber como reagir ao “obstáculo” que pretende ultrapassar. O “sonho”, só por si, tem a capacidade de gerar uma alteração fisiológica, que no processo é gravada e prolongada através das sugestões pós-hipnóticas. 

Sou hipnotizável? 

Quando se questiona se pode ser hipnotizado sem querer, a verdade é que não se pode. E não se pode, porquê? Porque para se ser hipnotizado é necessário que aceite a sugestão. A hipnose está presente no seu dia-a-dia, todos os dias, quer seja através da auto-sugestão, sugestão directa ou indirecta. Deste modo é fácil compreender que hipnose clínica não é dormir. O paciente está sempre a ouvir, possuindo assim todo o controlo durante a sessão estando num estado de grande relaxamento muscular. 

 Em que patologias pode ajudar a hipnose clínica? 

Em todas as que sejam psicossomáticas e não só: depressão, depressão pós-parto, fobias, esgotamento, tendência obsessiva-compulsiva, Síndrome de Tourette, Síndrome de Ninho Vazio, depressão infantil, Síndrome de Abandono, hiperactividade, défice de atenção, prevenção de AVC, arritmia, ansiedade elevada, ejaculação precoce, inibição de líbido, Tensão Pré Menstrual, neoplasia do colo do útero, neoplasia mamária, neoplasia dos intestinos, obesidade mórbida, controlo de peso, ataques de pânico, doenças oncológicas, fibromialgia, gaguez, entre outras.

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